Junho de 2019 | Rui Pato

”E de súbito um sino”, disco O canto e as armas, Adriano Correia de Oliveira, 1969.

Escolhi este tema por fazer parte de um LP que foi combinado pelo telefone em Março de 1970, entre o Adriano e eu. Ele, oficial da Polícia Militar no Regimento de Lanceiros 2 em Lisboa; eu ,castigado devido à crise académica de 1969, oficial de Cavalaria na Escola Prática de Cavalaria em Santarém. Eu não fazia ideia do que é que o Adriano queria gravar…só sabia que eram poemas do Manuel Alegre. E as melodias? “Isso vê-se lá”, respondeu o Adriano. Combinámos uma data, tinha que ser num dia em que ele estivesse a fazer a ronda no jeep da PM. Eu pedi ao Salgueiro Maia que me autorizasse o “desenfianço” para aquele dia e…no dia aprazado lá fui até Lisboa aos estúdios onde o técnico Moreno Pinto nos esperava. Cheguei primeiro. Depois chegou um jeep da PM e sai de lá o Adriano, fardado, cheio de correias, de capacete e pistola!
Pousou toda aquela tralha por cima do piano…e a pistola lá estava…num coldre branco! Eram AS ARMAS. O CANTO… veio depois. Fomos desfolhando poemas do livro do Alegre, ele improvisava uma melodia, eu um arranjo e acompanhamento e…como nas contas de um rosário assim se gravou uma a uma as cantigas deste disco…até às oito da manhã que foi quando a “ronda” do Adriano terminou e o jeep o veio buscar.
Assim, em cerca de 15 horas, foi feito, de improviso, o CD “ O CANTO E AS ARMAS”.

Jose AbreuJunho de 2019 | Rui Pato