Concerto «La chanson de combat portugaise», 10 de Novembro de 1970

Em 10 de novembro de 1970, os exilados políticos em França Sérgio Godinho, José Mário Branco, Tino Flores e Luís Cília, e José Afonso participam num espetáculo no auditório da Maison de la Mutualité em Paris. Durante a actuação, estes são interrompidos por um grupo de extrema-esquerda que questionam a sua postura política. José Afonso é acusado de colaborar com o regime, por permanecer em Portugal e continuar a gravar e a publicar.

Algumas situações expressas no registo áudio em RTP ARQUIVOS :
– Quando interrompido pelo público após a referência à presença de bascos na sala e a nacionalistas presos em Burgos e à indicação da canção que se seguia («Sou barco»), Luís Cília afirma: «A polícia portuguesa está bem organizada»;

– José Afonso dirige-se aos autores do panfleto distribuída à entrada (ver abaixo) disponibilizando-se para «fornecer indicações mais directas àqueles que esperam que os cantores façam a revolução enquanto eles estão sentados, talvez no Café Luxemburgo. Quando da resposta de alguns, José Afonso responde: «Não vejo a tua cara, pá. Je vois pas ton visage. Tu vois le mien, non?». Seguem-se confrontos físicos na plateia.

José Afonso disse, anos mais tarde, a José António Salvador:

«Recordo-me que uma vez em Paris fui completamente ridicularizado por um grupinho. Não sei qual era … Distribuíram uns panfletos bilingues que começavam assim: “Chora, camarada, Chora.” Tais indivíduos não sabiam sequer analisar a música e muito menos os textos. Grande parte das minhas canções eram de origem popular, “Lá vai Jeremias” e tantas outras. Os tipos achavam que eu era um choramingão como todos os cantores burgueses».

Jose AbreuConcerto «La chanson de combat portugaise», 10 de Novembro de 1970